segunda-feira, 29 de maio de 2017

Caseiro de ex-prefeito de Palestina é sequestrado e assassinado em Alagoas

Vítima: José Arnóbio Feitosa, 64 anos
Corpo de caseiro sequestrado foi encontrado por populares na manhã do domingo (28/maio/2017), na zona rural do município de Jacaré dos Homens. 
A vítima, identificada como José Arnóbio Feitosa, 64, trabalhava como caseiro do ex-prefeito da cidade de Palestina, Júnior Alcântara, quando teria sido surpreendido por dois homens encapuzados e um outro de cara limpa que chegaram a chácara chamando o caseiro por seu apelido 'Abel'. 
O caseiro estava com seu filho de apenas 8 anos de idade, que teria aberto a porteira achando que os suspeitos se tratavam de amigos do pai. 

Abel foi levado pelos criminosos no último sábado (27/05/2017), enquanto o filho gritava por socorro. Familiares e amigos chegaram no local e iniciaram buscas pela vítima, mas não tiveram sucesso em encontrar o caseiro, que foi localizado já sem vida na manhã deste domingo, próximo a um local de depósito de lixo e com marcas de sangue na região da cabeça.
Familiares estiveram no local e reconheceram o corpo como sendo de Abel, mas afirmaram não saber as motivações para o crime, a polícia investiga o crime. O Corpo do caseiro foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca, para os devidos procedimentos.
Ex-prefeito Júnior Alcântara já foi preso e é acusado d crimes pelo GECOC

Em 05/fevereiro/2013, o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) do Ministério Público Estadual ofereceu denúncia e pediu a prisão do ex-prefeito do município de Palestina José Alcântara Júnior, mais conhecido como 'Júnior Alcântara' e de outras 15 pessoas, dentre ex-servidores públicos, ex-secretários municipais e um empresário. Todos são acusados de integrar uma organização criminosa que praticou os crimes de apropriação de verbas públicas, fraudes em licitações, peculato furto, falsificação de documento particular, falsidade ideológica, uso de documento falso e formação de quadrilha. O valor que teria sido desviado ultrapassa os R$ 762 mil. A Deic cumpriu 16 mandados de prisão. Todos foram expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital. O ex-prefeito foi preso e encaminhado à Casa de Custódia da Polícia Civil.

Os crimes foram praticados durante a gestão de José Alcântara Júnior, mais precisante entre os anos de 2009 e 2012. Como era o prefeito de Palestina à época, ele é apontado como o chefe da organização criminosa e liderou um grupo de ex-funcionários que trabalhavam na Comissão Permanente de Licitação - Manoel Messias da Graça, Fernando Jorge Miranda dos Santos, José Vanildo dos Santos, Francisco de Assis Ferreira, Luciano Lucena de Farias e Francisco de Assis Costa da Silva - e nas Secretarias de Assistência Social, Saúde, Finanças, Administração, Educação e Obras e Urbanismo – Crizélia de Melo Alcântara, Elysson José Damasceno Gomes, Gedilson Costa da Silva, Djalma Alencar da Silva, Ana Paula Oliveira Souza e Eumanio Melo da Silva, respectivamente. Também fizeram parte do esquema ilícito os empresários Alberto Rodrigues de Oliveira, sócio da Construnorte Construções e Serviços LTDA e Eraldo do Leite, representante legal da mesma empresa.

As investigações do Gecoc começaram em 2012 e, após a análise de farta documentação aprendida durante cumprimentos de mandados de busca e apreensão expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital e pelo Juízo da comarca de Delmiro Gouveia, ficou comprovado que vários processos foram dolosamente manipulados e fraudados nos anos de 2010 e 2011, o mesmo tendo acontecido nas licitações realizadas entre os anos de 2008 e 2010. O valor do prejuízo somou R$ 762.432,90.
Quadrilha fraudou documentação de empresas
 O Gecoc fez uma análise criteriosa nos balancetes do Município dos anos de 2010 e 2011 por exemplo, e após a realização desse trabalho, comprovou que o grupo criminoso fraudou documentos em nome da dezenas de empresas. Construtora Farias Omena, Alfa Epi's Comércio LTDA, H.F.Calheiros e Cia LTDA, Comferral Comércio de Ferragens LTDA, Energy Instalações Elétricas LTDA, Cunha e Melo LTDA, J.A. Construção LTDA, Costa Comércio e Representações LTDA e Virtual Computer Informática LTDA estão entre os estabelecimentos que foram vítimas dos acusados.
Em depoimentos prestados ao Gecoc, os donos e representantes das referidas empresas e de outros 20 estabelecimentos negaram já ter prestado serviços ou vendido quaisquer produtos à Prefeitura de Palestina e garantiram que as notas fiscais atribuídas a eles são falsas.
“Os processos de pagamento relacionados ao adimplamento das obrigações supostamente contraídas nos anos de 2010 e 2011 pelo Município de Palestina foram fraudadas de forma grosseira e acintosa pela organização criminosa comandada pelo denunciado José Alcântara Júnior com o intuito de se apropriar criminosamente do dinheiro público destinado ao pagamento de serviços e de obras supostamente contratadas e não realizadas, bem como destinado ao pagamento dos fornecimentos de materiais que jamais foram entregues, causando profundo prejuízo à municipalidade que, em consequência, vê-se privada de ações que visem à melhoria da qualidade de vida de sua população”, diz trecho da denúncia.
Ainda de acordo com o MPE, parte dos documentos que deveriam ter sido recolhidos não foram localizados durante o cumprimento dos mandados, o que significa dizer que outras empresas também podem ter sido lesadas criminalmente pela quadrilha. “O ex-prefeito Júnior Alcântara, líder do bando criminoso, providenciou a ocultação dos mesmos”, acusa o Gecoc.
Obras que não aconteceram e produtos não adquiridos
As licitações fraudadas envolveram prestação de serviços não realizados e supostas compras de material. Foram abertos processos para aquisição de produtos e equipamentos de informática e eletro-eletrônicos e para a contratação de obras de terraplanagem, desobstrução de riachos e serviços de engenharia e recuperação de trechos da malha viária da cidade.
Durante as investigações, Eraldo do Leite, representante legal da Construnorte Construções e Serviços LTDA e que figura também na condição de denunciado, contribuiu com o trabalho do Gecoc. O acusado admitiu que havia fraude nas licitações, disse que ele próprio falsificou notas fiscais e que, para algumas das obras contratadas, a Construnorte sequer tinha o maquinário necessário para a execução do serviço.
A denúncia do Gecoc também alega que a maior parte dos contratos firmados foram considerados de 'fachada': 'são destituídos de qualquer eficácia, haja vista que não foram publicados na imprensa oficial e, nem tampouco, em qualquer outro lugar, em uma clara demonstração de que não havia interesse em que a suposta celebração dos mesmos chegassem ao conhecimento do público e produzissem seus efeitos externos, já que a intenção do aludido gestor era, simplesmente, simular a criação de um suposto encargo que servisse de camuflagem para a apropriação integral das verbas”, revela outra parte da denúncia.
Todos acusados foram denunciados pela prática dos crimes de apropriação de verbas públicas, fraudes em licitações, peculato furto, falsificação de documento particular, falsidade ideológica, uso de documento falso e formação de quadrilha.
Contra Júnior Alcântara, o MPE apresentou denúncia o acusando do cometimento do crime de fraude em licitação por seis vezes. Ele também teria praticado, por 100 vezes consecutivas, o ilícito de apropriação de bens ou rendas públicas ou desvio de dinheiro em proveito próprio ou alheio, por 31 vezes, o crime de falsificação de documento particular e, por 33, o uso de documento falso. A falsidade ideológica teria sido cometida por ele em seis ocasiões e por todas essas acusações, ele recebeu a acusação de chefiar o esquema criminoso.
Os demais membros da quadrilha e o empresário Alberto Rodrigues de Oliveira foram denunciados pelos mesmos crimes. Este último, participava das fraudes para conseguir beneficiar sua empresa. À denúncia, foram acostados 411 documentos, dentre eles,34 termos de declarações. Nela, o Ministério Público de Alagoas, além da prisão, também pede que os réus sejam condenados à suspensão dos direitos políticos pelo período de cinco anos, para o exercício de cargo ou função pública, eletivo ou de nomeação, sem prejuízo da reparação civil do dano causado ao patrimônio público ou particular.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Vídeo: Jornalista alagoano citado em delação da JBS é acusado de chantagear delator

Jornalista Claudio Humberto
O conteúdo das delações premiadas dos executivos do grupo JBS trouxe revelações que envolvem negociatas com a mídia. Circulam nos corredores de Brasília, que o jornalista alagoano Cláudio Humberto, proprietário do site Diário do Poder, crítico do governo Lula/Dilma, é um dos nomes que aparece nos depoimentos de Ricardo Saud, diretor de relações institucionais da JBS, ele teria revelado às autoridades a negociação de pagamentos em dinheiro para que o jornalista deixasse de "bater", omitindo os fatos da Operação Lava a Jato que envolvessem a empresa e os empresários.

No dia 19 de novembro de 2014, Cláudio Humberto Rosa e Silva escreveu matéria onde citava Joesley Batista, dono da JBS, como "Rei do Gado" e Ricardo Saud como "homem da mala". Esse material teria sido objeto do acordo financeiro. A quantia de 18 mil reais estaria sendo paga mensalmente, para acalmar o jornalista. Cláudio Humberto foi homem forte no Palácio do Planalto durante o Governo do presidente Fernando Collor. Sua coluna circula diariamente em vários jornais do Brasil, inclusive, na Gazeta de Alagoas.

A mídia, que capta recursos públicos em publicidade, tem conhecidos personagens que adotam a prática da chantagem como convencimento. A desconstrução - ou não - é a barganha dos que atuam no submundo do noticiário político. Cabe a sociedade fazer juízo de valor em meio a tantas informações que circulam diariamente.
As acusações colocam em dúvida a credibilidade do trabalho de Cláudio Humberto e expõe o modus operandi, da mídia vendida - comprada, que pode ser finalmente desmontado.

O site do jornalista Cláudio Humberto trouxe a informação de que as declarações de Saud, em juízo, se trata de vingança.


terça-feira, 23 de maio de 2017

Lista: Políticos alagoanos teriam recebido doação de campanha da JBS, empresa acusada fraudes e suborno a políticos

Lista 1: Doações oficiais da JBS nas eleições 2014
Como diria o combativo Jornalista Thiago Correia, "Alagoas está bombando na delação da JBS".

De acordo com uma lista vazada para a imprensa, vários políticos alagoanos teriam recebido dinheiro da JBS para custear campanhas eleitorais.

A JBS é a maior empresa de proteína animal do Brasil. A Friboi, é uma das empresas que pertencem a JBS, sendo também a empresa que mais tem anúncios de propaganda veiculadas nas televisões brasileiras.

Informações do portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),  apontam que a JBS fez doações em 2014, de cerca de R$ 5,3 milhões para políticos de Alagoas. Dentre os deputados estaduais eleitos em 2014,  estão Ricardo Nezinho (PMDB) e Tarcizo Freire (PP), Ronaldo Medeiros (PMDB), Marquinhos Madeira (PMDB), Thaíse Guedes (PMDB) e Carimbão Junior ((PROS).
Ao todo 20 políticos foram beneficiados pela JBS e na lista ainda figuram o governador Renan Filho (PMDB), o senador Benedito de Lira (PP), os ministros Marx Beltrão (PMDB) e Maurício Quintella (PR) e os deputados federais Arthur Lira (PP) Ronaldo Lessa (PDT) e Givaldo Carimbão (PHS).
Ainda, segundo a lista a suplente de deputado federal, mas que está no exercício do mandato, Rosinha da Adefal (PTdoB) também recebeu doações da JBS, por meio do diretório estadual.
Os maiores beneficiados foram o governador Renan Filho (R$ 1,3 milhão), o então candidato ao governo Benedito de Lira (R$ 1,2 milhão), Olavo Calheiros (PMDB) que recebeu o incentivo de R$ 300 mil para se eleger deputado estadual, além dos ministros Maurício Quintella (R$ 950 mil da JBS/Seara) e Marx Beltrão (R$ 236 mil) – deputados federais afastados que ocupam cargos de ministros dos Transportes e do Turismo, respectivamente.

Lista 2: Doações oficiais da JBS nas eleições 2014



TC em festa: Irmã, cunhado e sobrinha de Cícero Amélio são presenteados com emprego dos sonhos

Em nova ação (agora por improbidade administrativa) ajuizada, na Justiça, contra o já afastado conselheiro do Tribunal de Contas, Cícero Amélio, o Ministério Pública acusa o ainda fiscal dos prefeitos e do governador alagoanos de empregar a irmã, o cunhado e uma sobrinha no próprio gabinete do TC. Outra pessoa empregada é a filha do chefe de gabinete do conselheiro, afastado desde agosto do ano passado por emitir documento falso para beneficiar o ex-prefeito do Município de Joaquim Gomes, Benedito de Pontes Santos.

Outros atos abusivos envolvem a avocação e condução ilícita em afastamento do conselheiro relator natural por decisões monocráticas e não fundamentadas; desconstituição de ato de relator natural e desconsideração de sua autoridade e competência junto a gestor jurisdicionado; e usurpação de competência, com determinação de auditorias sem deliberação do Tribunal do Pleno.

O prejudicado com o afastamento foi o conselheiro Anselmo Brito, que restou impossibilitado de atuar em processos envolvendo gestores públicos com ligação de parentesco com o ex-prefeito de Canapi, Celso Luiz, e sua esposa, Maria Cleide Costa Bezerra, também conselheira do TCE/AL.

De acordo com o MP, o então presidente da Corte de Contes de Alagoas determinou, pessoal e diretamente, diversas auditorias (mais complexas) nos municípios, nominando-as de inspeções in loco (mais simples), sem respeito a qualquer cronograma de auditorias ou instrumento congênere.

O regimento do TCE/AL condiciona a realização das auditorias à solicitação do conselheiro natural e à deliberação do Pleno do Tribunal, o que não ocorreu. Sem publicidade, a conduta só foi constatada pelo levantamento de diárias concedidas a servidores e publicadas em órgãos de comunicação oficiais.

“Todas essas ações tiveram lugar em período pré-eleitoral, antecedendo um pleito no qual concorreu o próprio filho do conselheiro, o que agrava a aparência de uso seletivo e pessoal dos recursos do Tribunal para a realização de auditorias segundo a conveniência particular do demandado”, destacam o procurador-geral de Justiça e os promotores de Justiça.

Ticiana Villas Boas, a Jornalista que ficou rica por tabela após casar com JOESLEY BATISTA, o delator que grampeou o Temer Golpista

Não é ironia, mas Ticiana Villas Boas, de 36 anos, “está no olho do furacão político” que teve início com a delação feita por seu marido, Joesley Batista. Desde que o escândalo estourou, na quarta-feira passada (17/05/2017), a apresentadora do “Duelo de Mães”, reality show que vai ao ar aos sábados no SBT, sofreu ataques e se afastou da vida pública. Na terça-feira (23/05/2017), o SBT informou que ela não vai comandar o "Bake Off Brasil - Mãos na Massa", programado para o segundo semestre.
Em um anúncio feito via Instagram e Facebook, ela disse: “Não estou forte nem preparada ainda para falar do assunto. Vou passar um período fora das redes sociais para nos resguardar. Espero que entendam”.
Antes do resguardo, porém, Ticiana mostrava sua vida de apresentadora de tevê e mulher de bilionário nas revistas e em suas redes sociais. Revelamos algumas facetas da trajetória da apresentadora.
"Repórter talentosíssima"
Formada em Comunicação na Universidade Federal da Bahia, Ticiana Villas Boas era, ao lado de Ricardo Boechat, a principal estrela do jornalismo da Band, de onde saiu após o nascimento de Joesley Filho, em janeiro de 2015. "Uma repórter talentosíssima", elogiou o colega de bancada na rádio Band News. Ele fez questão de frisar que ela "progrediu com as próprias pernas" e que sua carreira não foi construída em torno do atual marido, com quem se casou quando já trabalhava no telejornal há seis anos. Boechat disse ainda: "A hora em que aparecer uma acusação contra a Ticiana, o pau vai cantar como para qualquer um", em referência ao fato de não criticá-la em seus comentários políticos.

Viagens pelo mundo

Como bilionários que são, Ticiana e Joesley Batista têm casa em Nova York, esquiam em estações caras, como Vail, no Colorado, e curtem praias paradisíacas, entre elas, Bora Bora, no Taiti, onde realizaram a segunda de três cerimônias de casamento - a primeira foi no Taj Mahal, o principal cartão-postal da Índia. Segundo a coluna Painel, da "Folha de São Paulo", eles deixaram Nova York, onde teriam se refugiado pouco antes do escândalo, para um local desconhecido. Há um ano, ela negou que estaria de mudança para a Bélgica. "Bélgica? Não, jamais. Não sei de onde saiu essa notícia", disse ao site "Glamurama". Outro destino possível seria o Japão, um de seus destinos favoritos de férias.

Cinderela baiana

Filha de uma engenheira e de um advogado, ambos funcionários da companhia de água de Salvador, Ticiana gosta sempre de lembrar que pertence à elite soteropolitana. "Não tenho problema com isso [ser chamada de arrivista] porque venho de duas famílias muito tradicionais da Bahia", disse em entrevista a Paulo Sampaio para a revista "JP". Na mesma ocasião, ela revelou que seus pais estudaram com os publicitários Duda Mendonça e Nizan Guanaes e que seus avós eram próximos de Antônio Carlos Magalhães. Ela tem uma irmã, Mariana, com ela na foto.

Tanajura

O sobrenome de solteira da mãe de Ticiana dá nome à sua produtora, a Tanajura Filmes, que tem como sócia a irmã Mariana e como diretora sua melhor amiga, Bruna Estivalet, de quem é comadre. A empresa criou o formato "Duelo de Mães", apresentado por ela e que vai ao ar aos sábados pelo SBT. A atração foi toda produzida pela equipe da Tanajura e gravada em um estúdio alugado em São Bernardo do Campo, e não no Complexo Anhanguera, que pertence à emissora. A JBS, anunciante do "Duelo de Mães", e a Record estão entre os clientes da produtora de Ticiana.

Ela é top, capa de revista

Festa com famosos? Roupas caras? Casa luxuosa? O estilo de vida tipo ostentação de Ticiana já estampou capas de importantes revistas: seu lar, com uma vista de dar inveja, em Salvador, por exemplo, ilustrou a "Casa Claudia". À "Joyce Pascowitch", a apresentadora abriu um pouco de sua intimidade. Mas foi mesmo na "Caras" que ela viralizou... mas pelo motivo errado. O excesso de Photoshop, que misturava uma foto de Ticiana e Joesley com Sean Penn, Leonardo DiCaprio e Madonna, gerou memes e piadas sem fim.

Bela, mãe e do lar

Depois do nascimento de Joesley Filho, Ticiana não apenas mudou de emprego, mas passou a postar fotos no aconchego do lar ao lado do fruto de sua união com o dono da JBS e chegou a exibir seu talento doméstico. "Bom dia! Com cara de sono ainda, mas na cozinha. Hoje sou eu quem vai preparar o bolo para meu filho que completa 8 meses amanhã! Depois mostro como ficou. Vai ser de tapioca!", escreveu na legenda da foto, publicada em seu Instagram. Já para a festa de dois anos do menino, no começo deste ano, ela contratou a filial da famosa Carlo's Bakery, que fica em São Paulo. O tema da festa eram dinossauros e ela usou chapeuzinho de safári para entrar no clima.

Vida de madame

A festa de casamento de Ticiana e Joesley foi nababesca. O vestido Chanel, os shows de Ivete Sangalo e da dupla Bruno e Marrone e os convidados poderosos já são referência no quesito ostentação e prova da proximidade do empresário com os seus delatados. O casal tem um chef particular, que começou cozinhando no iate deles e passou para a cozinha da casa no Jardim Europa, bairro que tem um dos metros quadrados mais caros de São Paulo. Em uma polêmica entrevista para a "Veja", Ticiana afirmou que o motorista abastecia o seu carro, um Porsche Cayenne. "Quando me dei conta, nem sabia mais o preço da gasolina. Pensei: 'Sou jornalista e não sei quanto custa o combustível?' Voltei eu mesma a encher o tanque."

Micareta VIP

Aniversário de Ticiana é uma data que nunca passa em branco, e pelo menos duas comemorações foram com muita música baiana. Seus 35 anos foram animados pela "Micareta da Tici", na Casa da Península, no Tivoli Ecoresort, na Praia do Forte, com direito a shows de Carlinhos Brown, do tradicional bloco Ilê Aiyê e da banda Alavontê, que tem Durval Lelys e Ricardo Chaves entre seus integrantes. Seus 33 anos, festejados em 2013 também ganharam o mesmo tipo de celebração, mas em São Paulo mesmo - foi a "Micaranda", na varanda de sua casa no Jardim Europa. Em 2016, no entanto, a nova idade chegou com mais discrição: uma festa surpresa da família - com direito a camiseta personalizada.

Amiga dos famosos

Diga com quem Ticiana anda, que diremos: é famoso. Os apresentadores Angélica e Luciano Huck são alguns dos amigos VIPs de Ticiana, que são "vizinhos de ilha" do casal em Angra dos Reis, na Costa Verde no Rio. O sertanejo Bruno, que faz dupla com Marrone, e sua mulher, Marianne Rabelo, já passaram alguns dias com eles no local. Ivete Sangalo é outra famosa próxima. "Muita gente diz que somos parecidas. Eu adoro que digam", afirmou a apresentadora, que publicou uma foto ao lado da cantora, anunciando uma homenagem no programa "Máquina da Fama".

quarta-feira, 22 de março de 2017

Benedito de Lira, o defensor da jogatina no Senado brasileiro, Alagoas é destaque

Benedito Lira, do PP/AL, pediu, articulou, insistiu, brigou e conseguiu: foi designado relator, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, do projeto de lei 186/2014, que libera os cassinos e jogos de azar no país.
O projeto é considerado, na opinião pública e até dentro do próprio Congresso, um assunto barra-pesada. Argumenta-se que a jogatina, na maioria dos países em que é liberada, acaba sob controle do crime organizado e é instrumento muito usado na lavagem de dinheiro.
Biu de Lira é acusado na Lava-Jato por supostos negócios escusos com o doleiro Alberto Youssef. O projeto da jogatina é de autoria do senador piauiense Ciro Nogueira, também do PP e igualmente investigado na Lava Jato.
A coluna de Ricardo Boechat, na IstoÉ deste final de semana, lembra que Benedito de Lira não assinou a CPI do Carlos Cachoeira, que investigou exatamente os meandros clandestinos do jogo de azar.
Lembra também que há dias, a Justiça Federal do Paraná mandou bloquear R$ 10,4 milhões da conta de Benedito de Lira, delatado por Ricardo Pessoa, da UCT, por “condutas ímprobas”.
Biu de Lira defende a lliberação dos cassinos e o perdão aos que se envolveram com o jogo do bicho e a exploração de máquinas caça-níqueis.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Arthur Albuquerque, filho do deputado Antônio Albuquerque ganha de presente Secretaria Estadual do Trabalho do governo Renan Filho (PMDB)

Arthur Albuquerque é o nome dele.  Filho mais jovem do deputado Antônio Albuquerque, será o novo secretário Estadual do Trabalho.
O parlamentar já vinha negociando com Renan Filho uma colocação importante para ele no governo do Estado. Tudo foi acertado esta semana.
Arthur Albuquerque, 26 anos, que perdeu a eleição para a prefeitura de Limoeiro de Anadia em 2016, será o quarto titular da pasta do Trabalho no governo Renan Filho, lembrando o “ronaldízio”, que caracterizou a gestão do ex-governador – e agora deputado federal, Ronaldo Lessa.
Aliás, a pasta foi oferecida este ano a Lessa, que a recusou.
Segundo a fonte palaciana que deu a informação ao blog, AA tem voo próprio. Ou seja: ainda falta a parte que cabe ao Grupo dos Doze, na Assembleia.

Deputado Nivaldo Albuquerque quer impedir juiz de 1º grau de afastar do cargo político suspeito de corrupção

À direita, deputado estadual Antônio Albuquerque, pai de Nivaldo Albuquerque, deputado federal (PRP/AL)
Está em tramitação na Câmara um Projeto de Lei, de autoria do deputado federal Nivaldo Albuquerque (PRP), que impede juízes de 1º grau de afastarem dos cargos políticos que respondem a ações por corrupção eleitoral. Pela matéria, o afastamento só pode ser determinado por colegiados, no caso, os Tribunais Regionais Eleitorais ou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nivaldo Albuquerque é filho do deputado estadual por Alagoas Antônio Albuquerque pelo 5º mandato. Albuquerque já foi preso varias vezes, afastado do cargo várias vezes; é acusado pelo Ministério Público por roubos e crimes de mando (assassinatos).
O PL altera dispositivos da Lei 9.504/97, visando impedir a “indevida interferência do Poder Judiciário, evitando a alternância de poder e os pré-julgamentos”.
Na justificativa, o parlamentar alega que, se para o candidato ficar inelegível – de acordo com a Lei da Ficha Limpa- é imprescindível que haja decisão colegiada, por simetria, os políticos eleitos legitimamente também só podem ser afastados do cargo por decisões monocráticas.
É fato que tais decisões têm gerado uma dança das cadeiras em muitas prefeituras, chegando ao ponto de, em algumas situações, nem mesmo a população da cidade saber quem é o prefeito e o vice-prefeito “do dia”, gerando rupturas nos serviços e instabilidade política.
Por outro lado, a demora no julgamento pelos colegiados alimenta a sensação de impunidade por parte da sociedade, que cobra respostas cada vez mais céleres no combate a corrupção eleitoral.
A batata quente agora está nas mãos dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça, onde a proposta aguarda designação de relator.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Condenado por compra de votos, Fernando Pereira é nomeado por Renan Filho




Vídeo: Primo de deputada comete atentado dentro de Igeja em Limoeiro de Anadia

Homem de óculos e blusa listrada é o acusado do crime
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento exato em que um homem, armado entra em uma igreja Católica e atira diversas vezes contra duas testemunhas de um casamento. O fato aconteceu no último sábado (28/janeiro/2017), na cidade de Limoeiro de Anadia, Estado de Alagoas. 
As imagens mostram um homem, que seria Umberto Ferreira dos Santos, primo da deputada estadual por Alagoas, Jó Pereira (PMDB), vestido com uma camisa polo, entra pelo corredor da igreja, atrás de um casal de testemunhas, faz uma pergunta e, logo em seguida, efetua os disparos contra as vítimas. 
De acordo a Polícia Militar, os feridos foram identificados como Cícero Barbosa da Silva, de 62 anos, e Edmilson Bezerra da Silva, de 37 anos, pai e filho, respectivamente. 
Após os disparos, o homem guarda a arma e sai tranquilamente da igreja, pela porta da frente.
Populares levaram pai e filho até a Unidade de Emergência do Agreste (UE). A unidade hospitalar não divulgou o quadro de saúde deles. 
Segundo algumas pessoas da cidade, a ligação de Umberto é forte com a família, tanto que assumiu um cargo na prefeitura, onde outro primo é secretário de Assistência Social.  

DETALHES FAMILIARES

O acusado do crime seria primo de FERNANDO PEREIRA, novo Secretário de Assistência Social de Renan Filho (PMDB)

Fernando Pereira:
1- é ex-prefeito de Junqueiro; 
2- irmão da deputada Jó Pereira (tb PMDB); 
3- irmão do prefeito de Teotônio Vilela, Joãozinho Pereira; 
4- irmão da prefeita de Campo Alegre, Pauline Pereira, candidata a presidência da AMA; 
5- alguns parlamentares afirmam: "sequer tem o ensino médio, como prefeito [de Junqueiro] foi desumano"; 
6- Condenado em 30/11/2016, a pagar R$ 50 mil por distribuir areia e cascalho em troca de votos para eleger seu sucessor, Carlos Augusto, que foi a sua posse...


Ê ALAGOAS!!!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Indicado para o CNJ seria afilhado de Renan e Gilmar Mendes?

Um advogado de apenas 33 anos é o novo membro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Henrique de Almeida Ávila, 33 anos, formado a apenas 10 anos pela PUC do Rio de Janeiro, foi nomeado pelo presidente Michel Temer, nesta segunda-feira (02/janeiro/2017). 

O novo membro do CNJ contou com o apadrinhamento de Renan Calheiros e do ministro do STF Gilmar Mendes.

Ávila é colega de escritório de advocacia de Guiomar Feitosa, esposa de Gilmar Mendes. Ambos trabalham em uma das maiores bancas de advocacia do país, do renomado Sérgio Bermudes.
O CNJ tem como função fiscalizar a atuação do Judiciário, tem 15 integrantes e é comandado pela presidente do STF, ministra Cármen Lúcia.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

NO DIA DOS MORTOS - Lêdo Ivo


NO DIA DOS MORTOS

Cemitério – lugar onde estão os mortos. Pois eles não moram nas tumbas, nessa pátria de areia.

No Dia dos Mortos, quando vamos a um cemitério, não os encontramos lá; nós os levamos e trazemos, como se os passeássemos num domingo.

No regulamento dos edifícios, que alguns síndicos pregam habitualmente nos elevadores, para notificação compulsória dos condôminos, há quase sempre um item sobre os defuntos: os enterros não devem sair dos apartamentos. Assim, em caso de morte, as famílias se comprometem a transportar discretamente os corpos para as capelas mortuárias.

Essa regra de condomínio faz que o último encontro de um vivo com um morto seja longe da casa em que este morou, numa sala cujos inquilinos horizontais sejam industriosamente revezados, ao sabor do capricho das Parcas urbanas.

O amigo (ou conhecido, ou parente), informado de uma morte, encaminha-se para o edifício cujas salas foram divididas em capelas. Entra numa, olha os circunstantes, vê um cisco de lágrima num olho inchado, não reconhece ninguém; entra noutra, pergunta, sussurra, até encontrar o que procura. E diante do defunto, na sala cheirando a flor guardada e a cera, ele sente vagamente não ter encontrado aquele a que procurava. A criatura que, morrendo no meio da rua, saiu do asfalto diretamente para o necrotério, e dali para a capela, perdeu-se nalgum lugar, e aos que ficaram deixou apenas uma imagem de cera, um simulacro de si mesma.

Perdeu a vida, isto é, perdeu-se. E o vivente pergunta às frescas lágrimas: onde estão os mortos¿ Em que lugar se esconderam¿ saindo do cemitério, o amigo é envolvido pelo pensamento de que o outro, deixado debaixo de uma laje de cimento, vai surgir à esquina, lendo um vespertino, desejoso de um bate-papo sobre os foguetes lunares.

Não é sem razão que as crianças e as mulheres têm medo de que os defuntos apareçam. Na realidade, eles se perderam aqui mesmo, e esse estar-aqui não foi inteiramente derruído pela morte, que apenas o danificou. Na sala do viúvo a morta poderá vir arranjar o jarro de dálias com as suas finas mãos invisíveis. O corretor trepidante que, todas as vezes que olhava um terreno baldio, era presa de uma alucinação imobiliária mesmo depois de enterrado poderá telefonar para um conhecido e propor-lhe um negócio da China, ou das Arábias; e, de um aposento onde só cabe seu corpo, ele proporá salas de trinta metros quadrados. Principalmente os que morrem de repente e não deixaram seus negócios regularizados (e tinham uma transação a ultimar, um amor a amar, um ódio a odiar) parecem habitar a atmosfera tão vazia deles à primeira vista. E os vivos sentem que algo os rodeia, como o frêmito de um pássaro de invisível plumagem. E é como se a seus ouvidos estivesse chegando, de um perto enigmático, uma palavra de estima ou de raiva.

O importante não é que os mortos morram, despremiados, mesmo depois de sepultados, quando na maior de todas as solidões, que é a do corpo sem alma dentro da terra, o guerreiro sozinho não luta com o voraz adversário sempre vitorioso. Importa que eles não estejam nos cemitérios e nos acompanhem na pequena viagem de ida e volta que fazemos no Dia dos Mortos, e se ofereçam mesmo para segurar o buquê de flores que levamos para suas lápides.

Importa que os mortos estejam sepultados, dentro de nós, em nossa própria solidão, visitantes íntimos com quem conversamos, criatura sentadas ao nosso lado, carentes de um Deus.

Que o homem de hoje saiba lembrar-se de sua infância e da morte que nela habitava, na pequena cidade onde todos os caminhos davam no oceano. E evoque o tempo em que, nas tardes de domingo, passeava com a sua namorada à beira de um mar azul, sem cores aguacentas. E se lembre, lúcido, límpido, leal, da sobremaravilha distanciada.

Nas mãos, eles deixavam o mar, iam andando devagar e subiam duna. No alto estava o cemitério, com o muro caiado de branco, correndo o risco de confundir-se com as nuvens cândidas.

Por um portão sempre aberto, entrava-se. A namorada se sentava belamente sobre um túmulo, tirava os sapatos, sacudia-os, libertando-os da areia. E ali, a cavaleiro do mar, eles ficavam até o anoitecer. Famílias vinham, domingueiras, passear entre as tumbas, visitar os que ali estavam, ou não estavam, pois que chegavam com os passeantes e com eles voltavam.

O amador e a coisa amada andavam por entre os túmulos – poucos mármores, talvez nenhuma escultura. O vento, salgadiço, derreava cruzes, a salsugem comia as letras de alguns nomes, as datas de vários sumiços terrestres. Das sepulturas rústicas, dos sete palmos de terra nutrida de humano, brotavam flores. Ali, como no mais ilustre dos cemitérios marinhos,

Le don de vivre a passé dans les fleurs!

Era um cemitério de cidade pequena, onde a morte é espaçosa, há lugar para todos, as vagas nos campos-santos não são disputadas a peso de ouro, nem os prefeitos cogitam de enterrar os defuntos em pé, como os egípcios, para economizar espaço. Era na província, onde os mortos, deitados em negros esquifes, saem de suas casas de cortinas pretas nas janelas.

E era rente ao mar. A areia era fofa, macia, em suas profundezas deveria palpitar ainda alguma existência marinha. E aos ouvidos dos defuntos, se ainda tivessem o dom da escuta, poderiam perfeitamente chegar o barulho da onda estilhaçando-se na praia e o rumor surdo dos coqueirais iluminados à noite pelo sol amarelo da lua.

Poderiam ouvir esse barulho de águas já antigas, pois estavam perto. Rumor insistente e borbulhante, e ele acompanha sempre os que o escutaram na infância; na sua úmida refluência, esse ritmo oceânico imita a visita dos mortos. E nós o guardamos. Os mortos, o mar, a poeira, o vento, nós o guardamos em nós, a todos, a esse suspiro imenso, inextinguível.


Lêdo Ivo; O Navio Adormecido no Bosque; 1977.
Escritor, poeta, ensaísta, gênio alagoano da literatura internacional.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Eleições 2016: Maceió elege 21 vereadores para Câmara Municipal

Os eleitores de Maceió (AL) definiram, na eleição de domingo (02/out/2016), a composição da Câmara Municipal, que tem 21 representantes no Legislativo. O PSDB teve o maior número de eleitos (5), seguido pelo PMDB (4) e pelo PP (3).

Confira abaixo a lista total dos eleitos:
  1. Lobão (PR): 24.969 votos
  2. Tereza Nelma (PSDB): 14.991 (Reeleito)
  3. Dudu Ronalsa (PSDB): 11.623 (Reeleito)
  4. Chico Holanda Filho (PP): 10.845 (Reeleito) 
  5. Davi Davino (PP): 10.746 (Reeleito)
  6. Kelmann (PSDB): 9.266 (Reeleito)
  7. Zé Marcio Júnior (PSDB): 8.914
  8. Eduardo Canuto (PSDB): 8.651 (Reeleito)
  9. Ib Breda (PR): 8.382
  10. Dr. Ronaldo Luz (PMDB): 8.216
  11. Aparecida Do Luiz Pedro (DEM): 8.096 (Reeleito)
  12. Fatima Santiago (PP): 7.459 (Reeleito)
  13. Silvanio Barbosa (PMDB): 7.160 (Reeleito)
  14. Silvio Camelo (PV): 6.951 (Reeleito)
  15. Silvania Barbosa (PRB): 6.870 (Reeleito)
  16. Francisco Sales (PPL): 6.857 
  17. Antonio Holanda (PMDB): 6.728 (Reeleito)
  18. Galba Novais (PMDB): 6.648 (Reeleito)
  19. Samyr Malta (PSDC): 4.690
  20. Siderlane Mendonça (PEN): 4.119
  21. Luciano Marinho (PTN): 3.663 

A Câmara Municipal recebe 8 novos vereadores e 13 vereadores que cumprem mandato foram reeleitos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

GOVERNO TEMER QUER VENDER TERRAS BRASILEIRAS A ESTRANGEIROS, MST ESTÁ VIGILANTE


Desde a posse interina, Michel Temer (PMDB) prega a necessidade de “pacificar e unificar a nação”, mas suas pretensões têm tudo para conflagrar o País, em vez de acalmar. As reformas trabalhista e da Previdência , por exemplo, levaram centrais sindicais às ruas de São Paulo na terça-feira 16. No campo, não será diferente. Talvez seja até pior.
Afinados com os ruralistas, os planos de Temer prometem aumentar as tensões no campo, sobretudo na reforma agrária e na luta por terra. Ele quer liberar a venda de terra a estrangeiros, um convite à especulação fundiária, e distribuir de forma maciça títulos de propriedade a assentados, um estímulo à reconcentração agrária e mais lenha na especulação. Já cortou verba de programas como o de aquisição de alimentos da agricultura familiar e o de construção de casas no meio rural. E deixou no limbo uma agência nacional criada há apenas dois anos para dar suporte técnico aos camponeses.
Isso tudo enquanto abre as portas federais no setor fundiário ao partido Solidariedade e a seu presidente, Paulinho da Força, já processado por fraude na reforma agrária.
Em movimentos sociais rurais, já é possível perceber disposição para grandes mobilizações e ocupações de fazenda no governo Temer, a um passo de ser confirmado de vez pelo impeachment. O espírito de confronto é reforçado pela crença de alguns grupos, como o MST, de que o interino é um “golpista” e não tem legitimidade. Não é à toa que Temer recorreu ao Exército para monitorar o MST, revelação nascida de uma conversa gravada pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado com o senador peemedebista Rome Jucá.
O acirramento dos ânimos pode levar à repetição de conflitos deflagrados na gestão Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990, quando houve o assassinato de 19 sem-terra em Eldorado do Carajás, no Pará. O homem da reforma agrária e das negociações com o MST na época, Raul Jungmann, agora é o ministro da Defesa.
Um requerimento do senador Randolfe Rodrigues, da Rede, cobra dele há quase três meses explicações sobre o monitoramento, mas nada de resposta. “Esse governo vem para retirar direitos. Se essa for a tônica, nossa negociação será em cima de mobilização, e aí haverá tensão”, diz Marcos Rochinski, coordenador da Fetraf, federação dos trabalhadores na agricultura familiar. 
Para contornar o terreno minado, Temer tenta rachar os camponeses, especialmente os sem-terra, ao buscar um interlocutor entre eles. Pinçou José Rainha Junior.
Expulso do MST há uma década, condenado em 2015 a 31 anos de prisão por extorsão, estelionato e formação de quadrilha, Rainha é um conhecido militante baseado no Pontal do Paranapanema, em São Paulo. Vinte dias após assumir o governo provisório, Temer recebeu-o no Palácio do Planalto. Um encontro conveniente para ambos.
Rainha rejeita o “Fora Temer” do MST. Achava inevitável a cassação de Dilma Rousseff, embora tenha subido em um carro de som anti-impeachment no dia da votação do processo pelos deputados, em abril. Ao topar sentar-se com o interino para negociar, apesar de ver nele o representante de uma “direita reacionária”, talvez consiga capitalizar o que o governo fizer pelos camponeses.
E assim, quem sabe, transformar sua Frente Nacional de Lutas (FNL) em um grande movimento de massas. “A Dilma cometeu muitos equívocos e não vai voltar, os movimentos sociais vão discutir com quem? Não temos força para impor a nossa pauta”, diz.
A Temer, Rainha pediu a volta do Ministério do Desenvolvimento Agrário, fechado de cara pelo interino, o reforço do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a demarcação de terras indígenas e quilombolas. Os acenos positivos do peemedebista até aqui são só palavras. “Se o governo não fizer o que foi combinado, vai ser guerra total”, diz ele, a planejar ocupações de fazendas e de sedes regionais do Incra.
A guerra projetada por Rainha parece já ser uma realidade para o MST, como se nota em declarações de seu líder, João Pedro Stedile. No início do mês, durante o início de uma marcha de jovens sem-terra, ele afirmou que “o governo golpista do Temer na verdade representa os interesses do poder econômico internacional aliado com setores da burguesia brasileira” e “exigirá esforço e mobilização de toda a classe trabalhadora, das forças nacionalistas, inclusive das Forças Armadas”.
Em julhoem um evento em Minas, Stedile disse que “o impeachment não tem nada a ver com os erros da Dilma” nem com “pedaladas fiscais”, mas “com um plano das elites para impor uma política neoliberal e reduzir os direitos dos trabalhadores”. E mais: “Vamos dar um aviso às empresas: se esse governo tomar essa medida irresponsável, não se atrevam a comprar terras no Brasil, porque nós vamos ocupar todas as áreas que forem cedidas ao capital estrangeiro”.
Dias antes desse último comentário, o interino aproveitara um almoço com a bancada ruralista para abrir o jogo sobre sua intenção de liberar a aquisição de terras por forasteiros. Contou que o assunto inclusive já estava em exame no governo. “Certos padrões que se verificavam há 25 anos não podem prevalecer. Teremos logo uma solução para esse tema.” 

A negociação com gringos está travada desde 2010, graças a um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), que considerou válidas e de acordo com a Constituição de 1988 diversas restrições contidas em uma lei de 1971. Na época, o governo (Lula) temia uma invasão chinesa. Uma lei proposta em 2012 pela bancada ruralista e hoje a tramitar na Câmara dos Deputados tenta acabar com as restrições.
No governo, o tema é controverso. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, apoia. Acha que favorecerá a concessão de empréstimos internacionais no País. Os bancos estrangeiros, segundo o ex-rei da soja, poderiam aceitar terras como garantia em financiamentos. Sem a restrições legais, as instituições financeiras ficariam com a terra dada em garantia, em caso de calote do devedor.
Já as Forças Armadas são contra, por razões de segurança nacional e de fronteira. Manifestaram sua posição em um debate na Câmara realizado em julho para discutir a proposta dos ruralistas.
O representante do Ministério da Defesa no debate, o capitão de mar-e-guerra Paulo Cezar Garcia Brandão, da área de Inteligência Estratégica do Estado-Maior das Forças Armadas, fez várias críticas ao projeto. Contém dispositivos, disse, que “consideramos uma ameaça à soberania nacional”. Para ele, o Estado não pode deixar de controlar a posse de áreas do País por estrangeiros “num momento em que a terra é considerada um ativo econômico de grande importância mundial”. 
Com o real barato ante o dólar, a permissão adubará a especulação fundiária. Um cassino que tende a se intensificar com outro plano do peemedebista. Promover, a partir de setembro, reta final de eleições municipais, um festival de entrega de títulos de propriedade a assentados. “Tudo indica um governo subordinado ao agronegócio. A disputa pela terra já existe e vai continuar.
Vamos ver conflitos”, alerta Patrus Ananias, último ministro do Desenvolvimento Agrário de Dilma. O Brasil, afirma, é um país de municípios rurais, cerca de 70% possuem menos de 20 mil habitantes, motivo para elaborar políticas públicas que mantenham as pessoas no campo, não que as expulsem.
A titulação desenfreada é um punhal nas costas do MST Para o movimento, ela mercantilizaria a reforma agrária, ao dar respaldo jurídico ao comércio de lotes, e estimularia a reconcentração, ao permitir a compra de terrenos por latifundiários. Pior. Incentivaria uma atitude individualista dos camponeses, uma ameaça à sobrevivência do movimento, dependente da ação coletiva.
O Planalto não esconde o impacto no adversário. “A gente sabe da organização coletiva que tem dado cobertura a essa inexistência do título”, afirmou há alguns dias no Senado o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, a quem as ações da reforma agrária estão momentaneamente subordinadas. “A nossa preocupação, então, é independentizar (os assentados).”
Apesar da má vontade, o MST e algumas entidades negociaram com o governo Dilma algum tipo de titulação, com condições controladas, por pressão de muitos pequenos agricultores. O resultado foi um decreto assinado pela petista pouco antes do afastamento do cargo. A transferência hereditária da terra foi autorizada e sua venda após dez anos do assentamento, também. A dúvida é se Temer seguirá o decreto ou vai tirar da cartola regras diferentes. Consta que recebeu uma carta do TCU a sugerir a revogação do decreto. A ordem do chefe, segundo Padilha, é titular “o máximo possível”.
A titulação maciça é uma das divergências de José Rainha com Temer, apesar de o líder sem-terra aceitar negociar com o interino. Idem para a aquisição de terras por estrangeiros. Rainha também critica o aparelhamento do Incra pelo Solidariedade, e não por acaso ações recentes de sua Frente Nacional de Lutas cobraram, com faixas em prédios públicos, que o partido fique longe do órgão.
A sigla infiltra-se na área federal da reforma agrária desde o início da gestão interina. Sucessora do finado MDA, extinto por pura propaganda de um governo provisório desejoso de vender-se austero, a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário tem à frente um indicado do deputado federal Zé Silva, do Solidariedade de Minas.
Ele próprio assumiria, se não tivesse de renunciar ao mandato. Agora é cotado para ministro quando a pasta ressuscitar pós-impeachment, volta prometida por Padilha no Senado. O presidente do Incra, Leonardo Goés Silva, é servidor da repartição, mas está no cargo graças à bênção do Solidariedade.
Quem comanda as negociações do partido com Temer é Paulinho da Força, presidente da legenda. O deputado, que considera o colega e réu Eduardo Cunha “a pessoa mais correta que já encontrei na vida”, faz teatro nas relações com o interino. Foi às ruas na terça 16 protestar contra as reformas trabalhista e da Previdência, mas atrás da cortina acerta-se com o peemedebista. Emplacou um filho, Alexandre Pereira da Silva, no posto de superintendente do Incra em São Paulo. 
Qual seria o interesse da família Pereira da Silva na reforma agrária e no Incra, dono de uma verba anual de cerca de 1 bilhão de reais para desapropriações e financiamentos? Uma espiada na ação penal 421, aberta em 2007 no Supremo Tribunal Federal (STF), talvez ajude a explicar. Nela, Paulinho era réu por estelionato, falsidade ideológica e falsificação de documento particular em um caso de fraude na reforma agrária. Segundo o Ministério Público, a Força Sindical teria ajudado a favorecer em 1998 os donos de uma fazenda a receber do Banco da Terra uma quantia superfaturada pela desapropriação. A central era e é presidida por Paulinho. Menos mal para ele o Supremo não ter achado provas de sua participação direta no trambique. Foi absolvido em abril.
Outro mau presságio sobre o Solidariedade no Incra: a superintendência da Paraíba foi entregue a um condenado a 30 meses de cadeia por desvio de verba pública da educação. O engenheiro civil e ex-prefeito Solon Alves Diniz, que recorreu da sentença, é sogro do padrinho de sua nomeação, o deputado federal paraibano Benjamin Maranhão, do Solidariedade. A identidade entre eles extrapola relações familiares. O parlamentar é réu na ação penal 616 no STF, acusado de corrupção em um escândalo famoso, o da Máfia dos Sanguessugas.
No Rio, a chefia do órgão está com Carlos Castilho do Nascimento, líder comunitário urbano indicado pelo secretário de assuntos jurídicos do Solidariedade, Tiago Cedraz. Este também é a mão por trás da escolha do diretor de Gestão Administrativa do Incra, Juliano Pasqual. O diretor tem intimidade com a família Cedraz, mas com a reforma agrária... É cientista político de formação e trabalhou como assessor parlamentar no gabinete do pai de Tiago, Aroldo Cedraz, antes de este se tornar ministro do Tribunal de Contas da União.
Será que o Cedraz pai, hoje presidente da corte de contas, ajudará Temer a resolver um pepino por lá? Por ordem do TCU, a reforma agrária está paralisada desde abril. Nada de selecionar candidatos a assentado, entregar lotes ou liberar crédito a quem já tinha um pedaço de terra. Ao cruzar dados do programa de reforma agrária com bases públicas de informação, uma auditoria detectou indícios de irregularidade em cerca de 500 mil processos de assentamento. Coisas como distribuição de lotes a políticos, servidores e crianças ou repasses duplicados de verba. Prejuízo potencial de 2,8 bilhões de reais. 
A decisão atrapalhou os planos de Dilma, que no primeiro mandato consagrara-se como pior presidente na reforma agrária desde o fim da ditadura e, no segundo, tentou inverter a rota. O Incra chiou bastante na ocasião. Para o órgão, “a maioria das discrepâncias indicadas pelo órgão de controle externo se origina de cruzamento de dados que parte de premissa não compatível com a política de reforma agrária”. Não haveria, por exemplo, problema em um assentado ter se tornado servidor ou político depois de receber a terra.
Antes da decisão do TCU, o governo comprometera-se a assentar 120 mil famílias até 2018. É esse o último cálculo oficial sobre o número de acampados no País, pouco mais da metade no Nordeste. Estimativas internas do Incra indicam que já seriam 137 mil famílias. E com viés de alta. Motivo: a ampliação do desemprego urbano e o fim de grandes obras públicas iniciadas nos últimos anos, situações que devolveriam à zona rural filhos de agricultores familiares.
Os planos de Temer e o avanço do exército de acampados formam uma combinação inquietante.
*Reportagem publicada originalmente na edição 915 de CartaCapital, com o título "Campo minado" - http://www.cartacapital.com.br/revista/915/com-paulinho-da-forca-temer-tenta-rachar-os-sem-terra 
Alagoas na Contra Mão/Carta Capital